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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

[Pai.]

Hoje eu sei que quanto mais se cresce, mais se cava uma lacuna para um abraço.
Que existe um vale entre um “eu te amo”.
Tudo porque, vivemos a vida como se ela fosse infinita. Esquecendo que ela se esvai pelos dedos. As gotas vão caindo, esmurecendo...E o que nos resta a não ser “verdades e verdades, mais verdades e verdades para lhe dizer, a declarar...”
Posso ainda sentir o aroma da infância. As pedaladas no parque, a brisa fresca vinda da represa. A felicidade em litros por minha primeira boneca. A crise Collor, a despedida do Raulzito. Teu Che estampado na parede da sala, e incrustado em vosso espírito. Teus discos dos Beatles.
Seu chá mate sagrado, teu Estadão aos domingos, tua alma grande para gente pequena. Teu sonho rebelde de menino, de ser baterista.
E me presentearia com um cassete, bem anos 90. “Os quatro garotos de Liverpool que fizeram crescer os cabelos do mundo.”
Meu velho me causa orgulho. Daqueles de anunciar em praça pública. Espiritualizado, espirituoso. Genioso, generoso.
Um ser sensível aos desgostos do universo. Meu cidadão do mundo, controverso.
Existe uma linha tênue entre a genialidade e a insensatez...”Os ignorantes não sentem, portanto não sofrem...”
Poético, proletário, absurdamente amável.
Teu abraço é um laço de amor incondicional. Meu homem mais bonito, crítico. O nariz de palhaço, sensato.
O “Operário Padrão” e o camping do Tião.
E na noites coloridas, o salmo 23, os Três Porquinhos, um pedaço da cama cedida.
“A inveja é uma merda”, e o Passat 76.
São Paulo Futebol Clube, nossa paixão. Minha redenção em meio à depressão.
Os Gremillins, ovos mexidos e hambúrgueres despedaçados.
Músicas francesas, soja e rádio sobre a mesa.
A escolha do meu nome, me ensinar o que é um ATO DE AMOR. A ser honesta e modesta...Mas alguém que sempre contesta!
Valores vitais que não se traduzem em cifrões.
Me ensinou bons bordões!
Sua voz inigualável, tal como sua destreza em pilotar...E uma louça que só ele sabe lavar!
E será que “Eram os deuses astronautas?”. Talvez ele me dissesse que sim...
Me falaria sobre solução, inflação, solidão. Religião. Repressão.
E essa armadura humana tola, não evidenciaria, duas almas tão semelhantes, quase repartidas...
Ele pensa que talvez ela esteja perdida. Desconhece que a “semente germinou”. Que ela conhece os perigos, que ela tem livre arbítrio em seus caminhos. E espera seu estímulo, clama por seu afeto. Te respeita e te deseja o mais sagrado.
Meu pai é meu revolucionário predileto, meu leonino vermelho, meu herói de carteira assinada. Um mortal com suas imperfeições e suas glórias.
SOU UMA EXTENSÃO DO TEU EU, PAI.
O DNA é uma condição... Mas é o amor real que nos une.
E as diferenças cotidianas bestiais, os dissabores, são pequenos demais perto da grandiosidade dessa vida, que nos proporcionou esse encontro.
Tenho você em mim em minhas melhores ações. E em meio as “reflexões de minha vida”, tento irradiar luz e esperança. Evoluir de forma árdua, pra pintar um sorriso infinito em sua face.
E por mais que os ponteiros sádicos nos massacrem, eu ainda sou aquela menina, que “mexia na comida do passarinho”e que “queria tirar a janela”. Aquela que podia lhe abraçar e amar sem lacunas, nem vales, nem covardia. Ainda querendo distância da distância, chorando por você “levar as gavetas”. E quando olhar através das cores de minha pele, da minha subversão juvenil, verá que ainda sou a princesinha, aquela que nunca crescerá para o papai.
Ela sempre se lembrará com dor da apendicite mal sucedida, do SEU coração teimoso, que deixou o MEU coração aflito.
Me ensinou que não há salvação sem caridade, que não há mudança se não tiver coragem. Me doutrinou a ser pacífica, mas nunca passiva.
Me indicou os melhores livros, e como todo bom pai preocupado, odiou meus melhores amigos.
Teve ciúmes dos namorados, mas fingiu bem. Tanto quanto eu.
Me ensinou a ser esperta, a criar metas, a não depender de ninguém.
Saciou minhas dúvidas, me embebedou de saberes. Me preparou ao mundo cão.
Me mostrou o lado real da vida. Que não existia só o cor de rosa, a propaganda de margarina.
Ele alimentou pessoas. Doou muito mais do que comida.
Me deu gargalhadas incontidas. O sobrenome, a vida.
E não há de abandonar a luta. A selva de todo dia. Não vá se render a nostalgia, se prender as ironias. Ainda há de se levantar, guerreiro de fé, de amor.
E estarei aqui, porque sou a primogênita, porque sem você é uma realidade cinzenta sem sabor.
Te amo de todo coração pai.
Feliz aniversário.
11 – Agosto -2010

domingo, 25 de julho de 2010

[Sobre alguém.]

São nessas madrugadas de brisa quente,
Que me pego a ver minimamente,
Todas escreverem o mesmo para ti.
Exaltando tuas facetas, tua beleza, teu escrever puro e cheio de louvor.
E me pego feito criança tola,
Que nada mais fez, do que imitar...Limitar!
Comparando-me, e sinto assim,
Tudo foge de mim,
O controle,
O caminho,
O destino.

Fatídica noite sob teclados,
Sob incertezas, sobre recados.
Sobre promessas, sobre ansiar.
Falar do presente,
do futuro,
e do passado.
Dúvidas circundam meu cérebro,
Dores físicas,
Dores da alma,
Dores essas, da vida.
Leia meus devaneios sem fim,
sem começo,
sem receio,
sem medir.

Me disse que queria escutá-los...
Queria lhe pedir que afinasse seus ouvidos,
vc entenderia.
E essa nova vizinha?
Não respeitaria o som de um artista?
Exploda essas 4 paredes.
Este infelizmente, é o mundo real.
Me dê os óculos escuros...Quero cor...!
Eu só estou vendo o cinza...
Esses arranha céus me tiram o folêgo....
Estamos na Paulista...Ela parece longa,
Louca,
Breve,
E intensa.

Tudo isso é nosso, ou são deles?
Se nem meu corpo, realmente me pertence.
Acendo velas,
Velo sonos,
Tenho sonhos,

Mas creio ser tudo imaginação, utopia, e ilusão.
Mergulho no obscuro, no profano, no absurdo.
Queria poder descansar em paz.
Se basta estar vivo, para se ter angústias...
Fala pra mim q o Universo vai paralizar...
Eu me recosto, ligo o rádio,
Está na estação da dor...
Caminhos sobre meus pensamentos desparceirados, inexatos,
Infantis.
Borboletas no aquário.
E da sofreguidão, ao menos se fez rima.
Sina de quem não consegue dormir em paz.
Tormentas, furacões, e o vento que parece soprar contra todos nós...
Rostos desconhecidos, desfacelam-se, derretem sobre minha retina...
Meus ouvidos fecham-se para os zumbidos da metrópole...
Entregue a insanidade...
Mas ninguém irá notar,
ou se importar,
só irão te taxar...
Fora dos conceitos,
da ética e do bom senso...
Ponto de interrogação, é o que sou...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

[Que o outono traga um novo sabor.]

Deixa esse cigarro queimar no cinzeiro...Eu não ligo.
Penso em tantas coisas, que mal consigo escrevê-las. As vezes acho a dislexia maldita, ora não.
O tempo, que me parece agora tão raro, articula de certa forma anestésica.
O mundo externo tenta nos impregnar da forma mais abrupta, a CADA DIA.
E conservar meu universo particular é quase heróico.
Perturbador é a fragilidade que se percebe ao longo do caminho. Enquanto procuro a paz lúcida em noites entorpecentes.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

[Mais do mesmo.]

Parece mais aquele filme de sessão da tarde, que vira e mexe adentra sua casa,e você já se estafou a tal ponto, que mal pode ouvir os diálogos pobres e previsíveis, mas lá está ele, passando again pelos seus olhos...
A vida é feita de repetições inúteis, e podem até mudarem personagens, mas o enredo medíocre se propaga em todas as relações humanas.
Não importa quantas vezes tenha presenciado/vivido. Há sempre surpresas desagradáveis dentro da caixa, disso não se pode fugir.
Crer e se lamentar, abrir o coração, se entregar. E tudo isso para que? Para quem?
Se libertar de um grilhão e se acorrentar em outro. Ficar à mercê de um destino amargo de ilusões infantis, de julgamentos inapeláveis.
O VAZIO ainda tem seu endereço firmado por aqui. E a minha alegria esfuziante, é na mesma medida da tristeza que me acomete. Coisas de gente intensa, maluca, disposta a saltar sem medos.
Mas mais uma vez você vê ervas daninhas ao invés de um caminho desenhado em flores.
E mais uma vez enlouquece pela espera do NADA, se atordoa com promessas ralas e rasas, se amedronta com a capacidade de forjar.
E nada resta a menina vermelha a não ser chorar.
Achou que a fantasia de bobo da corte já estava empoeirada, jogada junto aos cds melancólicos...Mas ela estava o tempo todo, vestindo a mim...

sexta-feira, 5 de março de 2010

[sou desse tipo.]

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

[Seus melhores amigos, cá estão.]

- Oi, bom dia, flor do dia.
Tão soberba, me acalenta.
Ela acorda ao lado da Nostalgia.
Boceja, se entristece, fraqueja.
-Quem é você aí?
É a Mágoa que lhe pergunta no espelho.
Quem lhe joga água no rosto e penteia seus cabelos é o Vazio.
Até o Adeus lhe acompanhar porta afora, mundo adentro.
-Até mais ver.
Quem sobe junto à ela no coletivo é a Desesperança. Com malas pesadas e cara carrancuda.
-Não, você está indo longe demais.
A Dor senta ao seu lado no escritório. Companheira assídua em horas de almoço e intervalos pra cigarros.
Ela cumprimenta a Dúvida, timidamente. Esta vai e vem,nunca íntima, nunca próxima, nunca amiga.
Adora longas caminhadas noturnas com a dona Tristeza, mas esta lhe fala demais. Lhe atrapalha no discernir, e é por vezes, largada no meio do caminho.
Ela lhe grita:
-Volte, não esqueça, esmureça.
Ao se deitar, acarinha o Medo, ora junto ao Seu Desassossego, conta histórias juvenis pra o Sr. Engano, e canta canções de ninar pra Dona Demagogia.


Até se esbaldar num jantar a sós, a luz de velas, com a Ilusão. Falar por horas ao telefone com a Saudade, se embebedar de vodka com a Revolta, engraxar os sapatos da Derrota.
Cruzar a Paulista lentamente, de mãos dadas com o Cansaço.
Trocar cartas com o Conformismo. [Muito, muito prolixo.]
E amar, amar e amar, somente amar com o coração e a alma, sem lógica ou precedentes, o Desprender.
Beijar lentamente, tal qual a dose que separa o remédio do veneno,o Desmoronar.

[Dias de verão.]

É um choro preso
Uma insatisfação
Insensata
Caricata.
É um esperar melancólico,
Ilusório.
São mentes,
Dementes.
São guerras,
São peças.
Sensações de cetim,
Tatuadas no folhetim.
É gente crua,
É subversão.
É culpa sua,
Fracionada,
Inacabada.
E ela se escora
Decepcionada.
São trechos,
Desfechos.
São vazios obscuros,
Profundos,
Irremediáveis.
Minha alma precisa de lar.
São pobres promessas,
Doses letais em conversas,
É minha culpa.
No ímpeto do abandono,
Se convence de que está pronto.
Até seu coração pulsar numa bandeja,
A vida ruir,
A sensação dissolver,
O tempo espaçar.
A voz que se cala na distância,
O que volta a ser a nostalgia da lembrança...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SUFOQUEI

A dor tem deixado o ar rarefeito. Ela habita somente uma parcela do meu coração, mas teima em ferir, me invadir sem aviso prévio. A dor não pede permissão, nem paga passagem. Transita livre, forçando minha racionalidade.
Conto os dias e até comemoro meses, feito integrante dos narcóticos. Todos tem a triste sensação da abstinência cotidiana, mesclada a esperança de um dia se curarem.
Mas será que é possível? Será que um dia, deixarás de desejar o que lhe causa ruína e redenção?
O que é ter esse espaço nulo, essa ansiedade pelo que nem sei nomear? Juro que por todos os dias, me condiciono a não pensar/sentir.
Aquele treino imbecil de não amar quem não pode lhe devolver isso.
E obviamente, após ter acimentado o muro que lhe separa do mundo real, você está finalmente a salvo.
E começa a preencher seus dias com sorrisos, com pequenas bençãos que lhe cruzam o caminho. Como colorir muros, ver vira-latas brincarem numa tarde de Sol, estar com as pessoas que cresceram contigo.
Mas eu soube que lá você estava. E faz tanto tempo, que pensei que a porta estava fechada.A gente acredita na cura até o momento da recaída.
E chorei. Não o suficiente, não que eu o quisesse, não que fosse permitido. Mas a saudade é involuntária, e eu faço questão de mostrar a ela que não é bem vinda.
Que raios esses caminhos sempre me levarem a ti?
Porque esta dor implícita?
Essa máscara que grudou na face, e fingiremos que é a vontade suprema, de cara limpa.
De algum modo sinto que estamos ligados, e isso mais me parece uma maldição.
E meu sorriso sem graça me condena, a cada esquina de lamentação e desencontro.
Eu só queria que um dia eu pudesse, me ver livre da condenação do inacabado, do passado.
Enquanto isso, eu fujo de mim, eu não deixo a peteca cair.
Refém de um destino amargo, um sapato fino sem salto.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

[#Lov...]


Laurie Lipton.


[Porque o bizarro lhe cai bem.]

Minhas amídalas doem.
E por incrível que pareça, minha cabeça também.
Sim, sociofóbica além de limites antes controlados.

[.]

Querendo entender sua rima.
Aí sim, eu ia ser tua sina.
Segurar tua mão naquela esquina.
E sentir suspirar, olhar de perto a retina.
Olhos da verdade, me fez ver miragem.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

[...meninamandamenina.]

Vida mono, alma stereo.
Desassossego, desatino, disparate.

Ele aqueceu.Mas tanto, tanto que incinerou.
Ele choveu. Mas tanto, tanto, que inundou.
Ele sorriu.Mas tanto, tanto, que gargalhou.

[meu purgatório da beleza e do caos.]

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

[É, a vida...]

Dias de sol trancafiados em salas abafadas,
Partilhando a 'fagulha do real', com mais meia dúzia de conformados.
Essa tela não diz nada além que você queira ouvir...
Aí você se limita a esse contato cibernético. Essa longevidade do sentir.
Economiza uns tantos, gasta outros em banalidades...
Morre todos os dias pra viver com mais conforto.
Aceita seu vale-desgosto pra poder suportar.
Se arrasta em seu prosseguir.
Lhe ensinaram ser assim...
Parte seus sonhos para que eles lhe caibam...
Sucumbe à selva de desânimos e se ampara pelo desamparo.
Em neón, 'VENÇA'...
O que seriam então, os critérios de ascensão?
Pra ser esse pouco que sou, pra tentar ser o MUITO, o que restou?