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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

SUFOQUEI

A dor tem deixado o ar rarefeito. Ela habita somente uma parcela do meu coração, mas teima em ferir, me invadir sem aviso prévio. A dor não pede permissão, nem paga passagem. Transita livre, forçando minha racionalidade.
Conto os dias e até comemoro meses, feito integrante dos narcóticos. Todos tem a triste sensação da abstinência cotidiana, mesclada a esperança de um dia se curarem.
Mas será que é possível? Será que um dia, deixarás de desejar o que lhe causa ruína e redenção?
O que é ter esse espaço nulo, essa ansiedade pelo que nem sei nomear? Juro que por todos os dias, me condiciono a não pensar/sentir.
Aquele treino imbecil de não amar quem não pode lhe devolver isso.
E obviamente, após ter acimentado o muro que lhe separa do mundo real, você está finalmente a salvo.
E começa a preencher seus dias com sorrisos, com pequenas bençãos que lhe cruzam o caminho. Como colorir muros, ver vira-latas brincarem numa tarde de Sol, estar com as pessoas que cresceram contigo.
Mas eu soube que lá você estava. E faz tanto tempo, que pensei que a porta estava fechada.A gente acredita na cura até o momento da recaída.
E chorei. Não o suficiente, não que eu o quisesse, não que fosse permitido. Mas a saudade é involuntária, e eu faço questão de mostrar a ela que não é bem vinda.
Que raios esses caminhos sempre me levarem a ti?
Porque esta dor implícita?
Essa máscara que grudou na face, e fingiremos que é a vontade suprema, de cara limpa.
De algum modo sinto que estamos ligados, e isso mais me parece uma maldição.
E meu sorriso sem graça me condena, a cada esquina de lamentação e desencontro.
Eu só queria que um dia eu pudesse, me ver livre da condenação do inacabado, do passado.
Enquanto isso, eu fujo de mim, eu não deixo a peteca cair.
Refém de um destino amargo, um sapato fino sem salto.

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