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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sol cor de noite

A sua casa era fria. As paredes pareciam sufocar minha alma. Teu carpete cor salmão, tuas cortinas envelhecidas....Tudo era morbidez.Porém, teu quarto era o refúgio.Continha tudo aquilo que precisávamos. A colcha de retalhos, a cama macia, a fragrância de velas e incensos.
As pétalas de rosas, espalhadas pelo chão. Teu corpo ficava ainda mais belo, com apenas o iluminar do teus olhos. Estes, frágeis e infantis, guardavam o peso dos anos, e a imaturidade destes, não serem bem vividos.
Tua insanidade era algo assustador. Por vezes enlouquecida, mandava-me embora.Mas jamais poderia deixá-la...Era tão só, que as taças de champagne estavam empoeiradas na cristaleira século XVI...
Como sua jovialidade doce, a transformara agora em amargura.Era hipocondríaca, psicótica, obsessiva. E seu desespero, afligia-me, seu pranto clamava por mim.Tuas mãos arranhando a face, evidenciava sua impotência.Depois, teu corpo caía, quase desfalecido. Estava exausta!
Eu era como teu anjo protetor. Lembro-me quando fitava os cabelos, e dançávamos pela sala.
Hoje, tua casa é cinzenta, e teu andar tem ausência de graciosidade. Teu sangue, é o féu.
Teus belos vestidos, agora corroídos, amarelados, tanto quanto teus sapatos. A ferrugem das janelas e de tuas pernas, as flores do jardim que hoje são ervas daninhas. Tu mataste todas as rosas. E cada espinho fôra cravado para escorrer ou extrair tudo benígno que cultivaste.
O cheiro de éter que agora toma-te o quarto. Minhas mãos chegavam a ficar dormentes, de tanto acarinhar teus cabelos, para velar teu sono.
Talvez o melhor sonho pra ti...
A realidade do presente, confundia-me com o passado que eu desejava profundamente, fatalmente.
E há quem diga, que fui cruel.
Doei minha existência àqueles olhos castanhos melancólicos.
Aquele espírito só e ambíguo. Sutil e avassaladora.
Tua gratidão e descontamento por ser tão dependente de mim.
Tua casa era enfêrma. E me contaminaste fazendo da luz trevas, e sanidade em loucura, pra minha mente sã.

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