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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Fragmentos do Eu _ Por Amanda

Com o decorrer do tempo, você começa a entender que a sua vida não muda da noite para o dia... E´ um processo cíclico sim, porém a monotonia do seu cotidiano irá torná- lo um apático, um acomodado... Você acorda cedo, pega o ônibus lotado, trabalha feito louco e gasta tudo em uma semana... Se quiser ter algo, faz um crediário e se sufoca por toda a vida, mas mesmo assim, terá a tão sonhada TV, seu sofá , e é claro, uma bela estante, onde colocarás livros que jamais vai ler, já que se encontra em um estado infeliz irreversível, onde tirar belas fotos cheia de sorrisos inconsistentes torna-se absurdamente mais importante do que ser alguém de palavras firmes e atitudes únicas... Você começa a perceber que o que separa a genialidade da insensatez é uma linha tênue, quase invisível, o que te leva a crer veementemente que jamais será alguém totalmente normal, de sonhos simples e vontades momentâneas, despretensiosas... Você tem pesadelos absurdamente assustadores, e o pior de tudo, é que quando você acorda, eles continuam a te assombrar constantemente... Você às vezes camufla... Em meio ao caos daqueles que gritam da forma mais muda, que te oferecem as “ pequenas porções de ilusão ” ... Aí você se sente mais humano do que habitualmente... Mas este falso estado de ânimo não perdura... Você volta a ser perseguido pelos maus agouros... Você luta em vão por uma sociedade anêmica e hipócrita... Você vive de joelhos implorando migalhas de afeto e compreensão... Você é démodé... Começa a enxergar um futuro próximo nada promissor... Você está amarrado com os grilhões do consumismo... Você é uma máquina do estado, uma marionete ridícula e insensata... Um perdedor... Aí você começa a perceber que você não vive sem seus sonhos vendidos, que você necessita de dinheiro, roupas que claramente demarquem seu estilo, e uma opinião cheia de concretismo sobre a novela das oito... Você precisa ler os mais vendidos, ir a praia em feriados, tomar cerveja aos domingos... A sua máscara permanece intacta, sem nenhum arranhão somente... Você enxerga fumaça e crescimento vertical... Essa metrópole te sufoca... Não podes mais respirar... Respirar o frescor da liberdade... Aí, me descubro oprimida, deprimida, Homicida, suicida... Sinto um ódio profundo e intenso... Você percebe que não possui mais seus sentidos, nem discernimento... Você busca incessantemente um deus, um demônio, ou uma forma de Poder... Mas não se encontra em si mesmo... Renega sua essência hipervalorizando a aparência... Que se esvai com a despedida da juventude... Você é uma rosa sem fragrância... Você começa a perceber que efetivamente você não fez nada de relevante... Passou a vida toda como coadjuvante, um mero espectador de uma realidade caótica... Eu explodo de dor perante uma manhã ensolarada... Vou me matando lentamente... Dentre meus livros de ideologias perfeitas, de sentimentos confusos, de minha preguiça intermitente, meus longos monólogos sem sentido... Eu piso sobre lixo... Estou imersa a sensações de angústia e melancolia... O mundo é preto, branco e cinza... E os traficantes ideológicos, engravatados, me despertam uma ânsia impregnada... Eu simplesmente deixei de acreditar...Você começa a sentir que os pensamentos mundanos sobrepõem a benfeitoria, que a ganância engole almas, queima retinas, estoura tímpanos... Você percebe-se um fraco, impotente... As mãos castradoras do capitalismo deceparam suas forças... Você é mediocremente levado a crer que está seguro em seu cárcere privado... Você aceitou sem relutar esse cabresto... Modestamente imagina uma existência clichê sem grandes emoções... Envaidece-se com seus bens acumulados... Tornou-se insensível diante da discórdia, do inadmissível... Tornou-se tolo... Tão somente, tolo...

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